O meu plano de fim de ano estava ancorado num dilema. Sair de Lisboa amanhã de manhã, regressar Domingo por volta das 4 ou 5 da tarde: a) e ir a correr ao centro Azeredo Perdigão ver a construção de livros de Matej Kren, no último dia dos meses todos ou b) ir imediatamente para casa? Se a), depois das 7 iria para casa cozinhar e arranjar-me à pressa, para estar pronta para sair às 9 e meia. Se b), iria para casa cozinhar menos à pressa e teria tempo para me vestir e estar pronta para sair às 9 e meia. Esqueci-me que Domingo era dia 31 (embora tivesse presente que era a véspera de dia 1) e que não havia exposição para ninguém. Fim do dilema. A fotografia não é da instalação da Gulbenkian, mas da "Idiom", que esteve em Praga entre 1991 e 1998: um cilindro de livros, com 5 metros e 20 centímetros de altura, fechada em cima e em baixo por dois espelhos. Eu encantei-me na legenda "Idiom, interior space", pensei no aconchego apertado das línguas maternas, nos segredos, no rigor desses segredos, em tudo o que sempre ignoraremos, mais ainda sem nascer no país ou na região do idioma. Se a língua é estrangeira, ou nossa - com negligência ou grande zelo - o cilindro é um poço, mergulhar pede escafandro.










